sábado, 19 de março de 2011




Julia, Thaís, Priscila, Steffany
Vitória, 2011


“CARACTERÍSTICAS MORFO-FUNCIONAIS DOS ÓRGÃOS INTERNOS”

  
Relatório da aula prática da disciplina de
fisiologia   do   curso   de  fisioterapia  da
Universidade  Federal  do  Espírito Santo
– UFES, orientada pela professora Maria
                                                                        Teresa         Martins        de      Araújo.



INTRODUÇÃO E OBJETIVOS

A aula prática de dissecação do rato (Rattus novergicus albinus) é de suma importância para o desenvolvimento intelectual dos acadêmicos da área da saúde. Dentre os objetivos, pode-se destacar: a familiarização com a localização e a disposição dos órgãos in vivo; o estabelecimento da correlação morfo-funcional entre os órgãos; o aprendizado das técnicas de contenção, manuseio e dissecação do animal.

Foi escolhido o roedor para esta técnica (e é utilizado em diversas experiências) por vários fatores, sendo um deles por sua fisiologia bem semelhante à dos humanos.

Com isso, ao chegarmos ao laboratório os animais já se encontravam anestesiados, imobilizados e fixados sobre a mesa. Foi realizado o cálculo da dose de anestésico e, em seguida, a demonstração do procedimento de contenção e aplicação da anestesia por via intraperitoneal do animal (dose: 120mg/0,6mL anestésico).  Esta foi feita num outro roedor, ainda desperto.


MATERIAIS

Material biológico:
− Rattus novergicus albinus (dois machos e uma fêmea)

Material cirúrgico e vidrarias:
− Fita adesiva
− Algodão
− Gaze
− Béquer
− Mesa cirúrgica
− Placa de Petri
− Pinça anatômica “dente de rato”
− Pinça anatômica reta
− Seringa de 1 ml
− Tesoura reta RR (sem ponta)
− Tesoura reta FF (com ponta)

Soluções e reagentes:
− Álcool
− Hidrato de cloral 20%
− Soluções de Tyrode
 


MÉTODOS

1º passo

Fizemos a assepsia do local com algodão e álcool sobre os pelos em seguida, a tricotomia (retirada de pêlos) do local com a tesoura reta RR até que a pele ficasse visível para começarmos a prática.

2º passo

Puxamos a pele com uma pinça dente de rato e fizemos um pequeno corte com a tesoura na região do abdome e, em seguida, utilizamos a tesoura de ponta arredondada para divulsionar. Desta forma, continuamos com o corte da pele na direção longitudinal, na base do abdome, e, assim, pudemos visualizar abaixo desta o músculo reto do abdome. Em seguida, puxamos o músculo e o cortamos na linha Alba até o processo xifóide, com cuidado para não atingir o diafragma, e o rebatemos, deixando as vísceras do animal expostas. Desta forma, foi possível ver, analisar e identificar o trato digestório (estômago e intestinos) e órgãos acessórios (fígado, e baço) ao fazermos este corte.

3º passo

Logo após, observamos o músculo que separa o tórax do abdome que é o músculo Diafragma, o principal da respiração. Para isso, usamos uma pinça para erguer a caixa torácica um pouco para a melhor visualização. Através do diafragma visualizamos os pulmões ventilando. Além disso, utilizamos uma tesoura de ponta fina para perfurar o diafragma e, no momento em que foi perfurado, os pulmões murcharam e o rato teve uma parada respiratória (pneumotórax), devido a pressão da caixa torácica não existir mais, e, portanto o pulmão não consegue ventilar.

Apesar da parada respiratória, o coração do rato continuou batendo pois utilizou as reservas de oxigênio das outras respirações para manter o organismo funcionando. Observamos também as artérias, veias pulmonares e o arco aórtico.

Ao observarmos e discutirmos o fato analisado, retiramos o coração e colocamos em solução nutridora (Tyrode) e o coração ainda continuou batendo por cerca de 10 minutos. Isto porque o coração não depende diretamente do sistema nervoso, já que possui o nó-sinusal que é o gerador de estímulo elétrico, sendo, então, auto excitável.

4º passo

Continuando o procedimento, fizemos uma incisão na pele e no músculo do pescoço, e observamos as carótidas, a traquéia, a laringe, o esôfago - com seu trajeto até o estômago - e a tireóide.

5° passo

Por fim, houve a abertura do crânio do animal em estudo, a qual foi administrada pelo monitor responsável.




RESULTADOS

Sistema Digestório
Na parte abdominal foram observados o trato gastrointestinal (TGI) - estômago e intestinos -, órgãos acessórios – fígado e vesícula biliar - e sua semelhança com o do ser humano.
O estômago tem a principal função de armazenar o bolo alimentar, temos também a secreção de suco gástrico e a mistura de suco gástrico com o bolo alimentar e o começo da digestão das proteínas. Depois do estômago começamos a observar a primeira parte do intestino delgado, o duodeno, onde termina a digestão do amido. Além disso, o bolo alimentar é despejado no  duodeno em partículas menores pelo estômago, para serem absorvidas e digeridas.

Após o Duodeno temos o Jejuno, onde ocorre a digestão dos carboidratos, e abaixo encontramos o Íleo, que é a porção final do intestino delgado onde ocorre a digestão das gorduras (lipídios), resultando o glicerol e os ácidos graxos, que são absorvidos pelas células intestinais, onde são convertidos em lipídios e agrupados, formando pequenos grãos que são secretados nos vasos linfáticos das vilosidades intestinais, atingindo a corrente sanguínea.

Após o Íleo, começa o Intestino Grosso, onde encontramos o Apêndice que nos humanos se apresenta como um órgão vestigial e praticamente sem função definida. Nos ratos, pelo contrário, é bem evoluído e tem importante função devido à dieta que esses animais adotam, desta forma, pudemos visualizar a presença de bolo fecal neste órgão. Como continuação do intestino, identificamos o Cólon ascendente, Cólon transverso, Cólon descendente e, por fim, o Reto. No Cólon acontece absorção de nutrientes e certos eletrólitos.

Também visualizamos alguns órgãos acessórios como o fígado, baço, com exceção da vesícula biliar. O fígado se localiza logo abaixo do músculo diafragma e é um órgão grande, que possui a coloração vermelho-escuro. No rato se apresenta maior que no homem, considerando que um rato é um ser bem pequeno, todavia, seu fígado tem vários lobos e ocupa os dois lados abaixo do diafragma. O fígado tem como função a produção de bile, a qual é armazenada na vesícula biliar e, posteriormente, jogada no Duodeno para emulsificar as gorduras da digestão.

O Baço (que possui coloração semelhante a do fígado) fica um pouco abaixo deste, mais lateralmente na parte esquerda. Ele controla, armazena e destrói células sanguíneas. Para isso, funciona como dois órgãos: a polpa branca, que faz parte do sistema de defesa (sistema imune) e a polpa vermelha, que remove os materiais inúteis do sangue.

O Pâncreas é um pouco difícil de ser visualizado devido a seu formato ser diferente do humano e também por se parecer muito com uma gordura. A função deste órgão, que é uma glândula mista que produz enzimas digestivas e as secreta no Duodeno, produz também hormônios como a insulina e o glucagon.

Sistema Urinário e Renal

No presente estudo identificamos o trato urinário (rins, ureter, bexiga) e glândulas endócrinas.

Os rins são muito parecidos com o dos humanos e este é responsável pela filtração sanguínea. Logo acima dos rins identificamos a Supra-renal, que secreta o hormônio Adrenalina. E não foi possível visualizar os ureteres.

A bexiga, situada na parte inferior do abdômen, é um reservatório músculo membranoso onde se recebe e acumula a urina nos intervalos das micções. É uma bolsa de parede elástica, dotada de musculatura lisa que tem como função acumular a urina produzida nos rins, a qual é eliminada para o exterior através da uretra.


Sistema Reprodutor

O ovário e o útero das fêmeas em questão são bem mais desenvolvidos que na mulher. Por isso, esses animais têm a capacidade de gerar muito mais filhotes em uma gestação.
No ovário acontece à produção de óvulos e, no útero, a gestação.

No rato macho do outro grupo:
Pudemos visualizar o pênis e o testículo.
O pênis é o órgão de cópula, e o testículo produz a testosterona e armazena os espermatozóides.

Região do Pescoço
Observou-se a traquéia e o esôfago. Foi citado também sobre as glândulas endócrinas (tireóide e paratireóide) e exócrinas (salivares).
A traquéia é um ducto que contém anéis cartilaginosos por aonde o ar chega até aos pulmões. Além disso, se estende à laringe e aos brônquios e possui reforço pelos anéis cartilaginosos.

O esôfago, entretanto, é um conduto por onde passa o bolo alimentar até chegar ao estômago. Para isto, este conduto sofre contrações involuntárias de seu músculo, que são controladas pelo sistema nervoso autônomo.

A glândula tireóide, uma das maiores glândulas endócrinas do corpo, é uma estrutura de dois lobos localizada no pescoço e produz hormônios, principalmente tiroxina (T4) e triiodotironina (T3), que regulam a taxa do metabolismo e afetam o aumento e a taxa funcional de muitos outros sistemas do corpo. A tireóide também produz o hormônio calcitonina, importante na homeostase do cálcio
Já as glândulas paratireóides são dois pares de glândulas endócrinas que se situam atrás da glândula tireóide. Elas produzem paratormônio (PTH), o hormônio principal da regulação da concentração de cálcio no sangue.
As glândulas salivares localizam-se no interior e também em torno da cavidade bucal tendo como objetivo principal a produção e secreção da saliva.

Região torácica

Na região torácica foi observado o coração e o pulmão. O pulmão tem por sua função principal a de troca gasosa, mas também está envolvido com manutenção de pH, defecação, parto,entre outras.

O coração, por sua vez, funciona como uma bomba propulsora, que joga o sangue para as artérias para que o mesmo leve nutrientes a todo o corpo.
                   
Região do Crânio

Nesta região observamos o trajeto encefálico (o qual é muito mais desenvolvido que o dos humanos), a medula, o bulbo e a região cortical (que já é menos desenvolvida que a dos humanos).

Além disso, vimos o bulbo olfatório, que possui duas projeções. Este no rato é bem mais representativo já que é de uso constante do animal em questão. Já na base do crânio, vimos o nervo óptico, o quiasma óptico e, abaixo deste, o hipotálamo. Este último sendo uma região de grande importância, pois regula  importantes e determinados processos metabólicos e outras atividades autonômicas.

Todavia, também observamos a hipófise, que é uma importante glândula situada na sela túrcica. Sua importância se dá pela produção de numerosos hormônios, além da regulação da atividade de outras glândulas e funções do organismo.

No Cerebelo, observamos o Corpo caloso, que são feixes de neurônios que conectam um hemisfério ao outro; o Mesencéfalo, que é a vesícula intermédia originária do tubo neural quando da formação do cérebro durante o desenvolvimento embrionário em animais; a Ponte, que participa de algumas atividades do bulbo, interferindo no controle da respiração, além de ser um centro de transmissão de impulsos para o cerebelo; o Bulbo, que recebe informações de vários órgãos do corpo, controlando as funções autônomas, como por exemplo: batimento cardíaco, respiração, pressão do sangue, etc. ; e o Hipocampo, grande responsável pela memória.


BIBLIOGRAFIA

GUYTON, Arthur C.; HALL, John E. Tratado de Fisiologia Médica. 11ª Edição. Brasil: Elsevier Editora Ltda., 2006.

WebCiencia.com – Ciência e Cultura na Web. Disponível em: <http://www.webciencia.com>. Acesso em: 17 mar. 2011.

Wikipedia– A enciclopédia livre. Disponível em: <http://www.wikipedia.org>. Acesso em: 16 mar. 2011.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011


Ousadia, cada vez maior, de adolescentes em cometer atos impensáveis e até mesmo inconseqüentes para praticar a criminalidade. Fato que, infelizmente, não é isolado. Cenas terríveis acontecem todos os dias nas mais diversas cidades brasileiras.

Vidas inocentes se perdem nas mãos de criminosos que, em muitos casos, ainda nem atingiram a maior idade. O índice de menores envolvidos em atos criminosos chama atenção e preocupa população e autoridades: jovens que deveriam estar na escola, qualificando mão-de-obra para o país, perdem-se na vida do crime. Apesar dos governos insistirem em programas assistencialistas, como o bolsa família, não há, de fato, na sociedade, uma mudança no quadro social de muitos jovens. A escola não os interessa, trabalhar não é o objetivo de muitos, conquistar bens por via do trabalho honesto já não faz parte do plano da maioria.

Na verdade, o que se vê é um encantamento pelo mundo do crime. Jovens são cada vez mais enfeitiçados pela vida do “dinheiro fácil” e se envolvem com facilidade na subvida marginal. Combater essa realidade e desconstruir esse mundo de ilusão passa por, inicialmente, a geração de um Estado social mais justo. Ou seja, combater uma sociedade marcada pela diferença e divisão de classes e oportunidades. Além disso, é preciso também efetivar a existência de um sistema judiciário realmente forte e que consiga combater a certeza da impunidade.

Oportunizar uma nova vida aos jovens marginalizados requer do governo planos para toda a família e comunidade desse individuo. Não é com um valor simbólico no final do mês que o Estado conseguirá trocar a arma pelo livro. As políticas de inclusão precisam alterar drasticamente a realidade das comunidades carentes.



"Errado por errado quem nunca errou?
Aquele que pede voto também já matou
Me colocou no lado podre da sociedade
Com muita droga, muita arma, muita maldade
Vida do crime é suicídio lento
Bangu 1, 2, 3, meus amigos lá dentro
Eu tô ligado qual é.. sei qual é o final
Um saldo negativo.. menos um marginal
Pra sociedade contar um a menos na lista
E engordar a triste estatística
De jovens como eu que desconhessem o medo
Seduzidos pelo crime desde muito cedo
Mesmo sabendo que não há futuro
Eu não queria tá nesse bagulho
Já to no prejuízo, um tiro na barriga
Na próxima batida quem sabe levam minha vida
Eu vou deixar meu moleque sozinho
Com tendência a trilhar meu caminho
Se eu cair só minha mãe vai chorar
Na fila tem um monte querendo entrar no meu lugar
Não sei se é pior virar bandido
Ou se matar por um salário mínimo
Eu no crime ironia do destino
Minha mãe tá preocupada seu filho está perdido
Enquanto não chegar a hora da partida
A gente se cruza nas favelas da vida
"
                                      (Mv Bill)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Patch Adams - O Amor É Contagioso. Gênero Comédia, EUA 1998. Direção: Tom Shadyac, com Robin Williams

"Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio, ou flechas de cravos que atiram chamas. Te amo como se amam certas coisas escuras, secretamente, entre a sombra e a alma. Eu te amo sem saber como, nem quando e nem onde. Te amo simplesmente, sem complicações nem orgulho. Assim te amo porque não conheço outra maneira. Tão profundamente que a tua mão no meu peito é a minha. Tão profundamente que quando fecho os olhos, contigo eu sonho. É assim que te amo e nada mais me importa."
(Patch Adams - O amor é contagioso)


Relatório do filme

O filme conta a história de Patch, que se encontrava num quadro de depressão e, após uma tentativa de suicídio, decide internar-se numa clínica de deficientes mentais.
Lá dentro observa as atitudes dos enfermos, interage e aprende com eles. Percebe que apenas dando-lhes atenção, poderia obter resultados satisfatórios. Ao conseguir que seu parceiro de quarto superasse o medo por esquilos imaginários, Patch resolve abandonar a clínica e cursar a faculdade de medicina com a intenção de ajudar pessoas.
No entanto, na universidade ele encontra uma grande resistência diante de toda entidade médica e até mesmo dos acadêmicos, devido a praticas institucionalizadas que sempre vigoraram nestas corporações.
Apesar disto, Patch luta por uma medicina mais humana que tratava e priorizava pessoas e não as doenças. Procurou se aproximar dos enfermos e destruir o pedestal que separava médicos de pacientes, trazendo alegrias e ouvindo-os mais. Entretanto, esta determinada atitude, com o passar do tempo, não somente acabou conquistando o carinho e credibilidade das pessoas ao seu redor, como também gerou desconfiança e ciúme na classe médica.
Patch tentou também convencer seus colegas a eliminarem a idéia de superioridade que acabava prejudicando a relação médico-paciente, algo que, no entanto, era muito difícil, já que estas práticas e conceitos perduram há muito tempo e que o ideal do médico como sinônimo de prestígio é vigorante em nossa cultura desde os primórdios da civilização. São resquícios de décadas e décadas e que, ainda hoje, levam estudantes buscarem a medicina almejando este “status”, esquecendo-se porém das verdadeiras funções desta profissão: cuidar, curar, amparar.
O filme, além de muito emocionante e educativo, nos remete a uma reavaliação de conceitos fazendo-nos refletir diante de nosso próprio comportamento. Apesar de relatar especificamente da medicina em si, pode-se abranger a temática a todas as áreas da saúde que, lamentavelmente, possuem deficiências em comum.
É importante ressaltar que não é necessário investir apenas em tecnologia ou em estudos funcionais e fisiológicos, se a essência humana é desprezada e o melhor e mais simples remédio está cada vez mais escasso em nossa sociedade: o amor e a solidariedade.    
05/04/2010